Microcirurgias são opção para tratar a hérnia de disco

Excesso de peso, sedentarismo, hábito de fumar (enfraquece os ossos e as articulações), fraqueza dos ligamentos e até mesmo fatores genéticos contribuem para o aparecimento da hérnia de disco. Este problema é mais frequente entre a quinta vértebra lombar e a primeira vértebra sacra e pode ser incapacitante quando não tratado. Mas hoje os casos graves de hérnias de coluna podem ser curados por meio de cirurgias minimamente invasivas, diz o médico Eduardo Barreto, coordenador do Serviço de Neurocirurgia do Quinta D'Or e especialista em coluna vertebral. O tema foi escolhido pelos leitores para a coluna desta semana.

O que caracteriza a hérnia de disco?

EDUARDO BARRETO: É a saída por pressão e/ou compressão do núcleo pulposo, a parte central e gelatinosa do disco intervertebral, que serve para articular uma vértebra à outra. Os discos funcionam como amortecedores. A hérnia pode ser aguda, causada por um esforço súbito, ou aparecer devido a esforço repetitivo ou hábito de adotar posições viciosas, como se sentar de maneira errada ou carregar pesos de forma inadequada. O problema é mais frequente na coluna lombar que na cervical. Neste caso, pode ser mais perigoso, pois a hérnia pode afetar a medula espinhal e todo o conjunto de raízes que formam os plexos nervosos.

Existe alguma forma de prevenir ou evitar a hérnia de disco?

BARRETO: Praticar alongamento, dança de salão, ioga ou outras atividades aeróbicas de baixo impacto ajuda a prevenir. Outra dica é fa$atividades aquáticas, como hidroginástica, natação e esportes que não causam impacto no eixo da coluna vertebral. Estudos genéticos mostram que alguns genes são responsáveis por doenças na coluna vertebral, como a escoliose do jovem, e algumas famílias apresentam uma maior incidência de hérnia de disco.

Qual é o tratamento de rotina para hérnia?

BARRETO: Usualmente deve-se realizar o tratamento com medicamen$e medidas fisioterápicas para o controle da dor. Antigamente, na crise, preconizava-se o repouso por duas semanas ou mais. Atualmente recomenda-se o repouso de no máximo 48 horas e analgésicos potentes, receitados por médico. O repouso prolongado causa fraqueza muscular, favorece à depressão e traz efeitos colaterais que podem prejudicar a reabilitação.

Quando se deve operar?

BARRETO: A cirurgia é indicada quando houver sinais de compressão de estruturas nervosas, com sintomas de fraqueza muscular, falta de força ou, em casos graves, paralisia ou dormências progressivas em membros. O paciente precisa procurar um especialista na área e fugir dos remédios ditos "milagrosos". É bom lembrar que nem sempre a dor de coluna significa hérnia de disco. O sintoma pode ter outras origens, como a instabilidade da coluna, fratura de vértebra por osteoporose (perda óssea) ou trauma, ou até mesmo sintomas de tumores na coluna vertebral.

O que existe de mais moderno para tratar o problema?

BARRETO: O tratamento mais mo$para as hérnias de disco são os métodos minimamente invasivos, chamados de discectomias ou a retirada do disco, na verdade, apenas da hérnia. O procedimento é feito com anestesia local e sedação. O paciente interna-se de manhã e à tarde já está em casa. A técnica pode ser aplicada com jato de água (hidrodiscectomia), radiofrequência ou por meio de instrumentos especiais. Essas são cirurgias indicadas em casos especiais, dependendo de avaliação médica. A microcirurgia também pode ser uma alternativa em casos selecionados. Existem mais opções de tratamento, como a substituição de disco (por disco artificial). Para o paciente que precisa de cirurgia, é importante que ele discuta todos os detalhes com o seu médico. O objetivo no tratamento é evitar que uma dor aguda se transforme em crônica, trazendo sérios prejuízos. Quando já existe falência de todo o sistema de sustentação da coluna vertebral, a técnica com a fixação do segmento (a artrodese) pode ser uma proposta para resolver o problema.

A hérnia de disco tem cura?

BARRETO: O nosso corpo tem a capacidade de produzir substâncias que promovem a reabsorção da hérnia em casos iniciais e principalmente das chamadas hérnias extrusas. Este tipo de hérnia rompe o ligamento posterior e ela fica solta no canal vertebral, sendo mais comum na coluna lombar. Se o paciente responder ao tratamento clínico de no mínimo quatro a seis semanas, com medicamentos, fisioterapia e eventuais infiltrações, pode ficar curado, desde que se condicione para evitar novas crises no futuro.

Fonte: O Globo

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