Hernia de disco nem sempre se resolve com cirurgia







Vivemos num mundo onde as pessoas quase não têm tempo pra nada. Entre as obrigações e afazeres, entre a casa e o trabalho, entre as responsabilidades e os projetos pessoais, grande parte das pessoas dorme e acorda sem se dar conta do que está acontecendo com o próprio corpo. Nesse ritmo maquínico e selvagem, vamos deixando o cuidado com a saúde sempre pra amanhã. E isso vai minando pouco a pouco o organismo, e quando menos esperamos surge uma enfermidade.

A verdade é que nada surge do nada. Analisando a causa de um problema, vamos perceber que ele começou muito antes. Às vezes por ignorância e falta de informação, às vezes por descuido e falta de atitude. Por isso é importante estarmos atentos e conscientes de como o corpo humano funciona e o que precisamos fazer, como também não fazer, para evitar os males que atrapalham nossa qualidade de vida.

O problema de coluna não é privilégio de nenhum país ou família, é um mal que ataca a todos, independente de idade, sobrenome ou nação. E entre as queixas mais freqüentes de enfermidades na coluna, está a perigosa hérnia de disco. Para se ter uma idéia da dimensão da dor apenas aqui no Brasil: são mais de 5 milhões de pessoas sofrendo dia após dia dos traumas resultantes dessa complicação.

A hérnia de disco nada mais é do que uma ruptura estrutural em um dos discos da coluna, ocorrendo com mais frequência na região lombar ou cervical. E além da dor, ela geralmente inabilita a vítima de exercer suas funções normalmente, impedindo o exercício das atividades diárias mais triviais. E o que o pior: após passar por um diagnóstico médico, muitos são logo encaminhados para a cirurgia, expondo seus organismos aos riscos inerentes a qualquer intervenção cirúrgica, como reações adversas à anestesia e, inclusive, desencadeamento de infecções.

Mas o que o grande público não sabe, e merece saber, é que a cirurgia não é a única solução para esse mal, e muitas vezes é saída a menos indicada. A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos afirma, com base em estudos, que cerca de 90% dos portadores de hérnia de disco podem melhorar através de práticas orientadas e regulares de técnicas como a acupuntura, a fisioterapia, o Rolfing e o RPG (Reeducação Postural Global).

Pil Sun Choi, membro da Sociedade Brasileira de Coluna, vai mais longe, e defende que apenas 5% dos que sofrem de hérnia necessitam realmente de operação. Geralmente são exceções, casos que se agravaram por falta de tratamento correto ou estágios evoluídos de inflamação.

Outros apontados como auxiliares no tratamento são os antiinflamatórios, recomendados para os casos mais críticos, quando o corpo está sentindo crises de dor. Além do uso de analgésicos em certas situações. O que eles querem dizer é que pouquíssimos pacientes necessitam realmente de algum tipo de intervenção cirúrgica. Ou seja, praticamente todos têm a chance de se curar desse mal, bastando disciplina, força de vontade e envolvimento com o processo de cura.

"A cirurgia só deve ser uma opção quando não há resposta terapêutica a um tratamento de no mínimo oito semanas envolvendo fisioterapia, outras técnicas e medicamentos", alerta o reumatologista paulista José Goldenberg. É o reconhecimento de que qualquer intervenção cirúrgica oferece muitos riscos ao pacientes, e deve ser evitada a todo custo.

Realizar uma cirurgia pode não ser a cura de todo mal, além de provocar transtornos e desgaste físico-emocional em quem passa por ela. Helder Montenegro, fisioterapeuta do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral, avisa que "pelo menos 50% dos pacientes que passam por uma cirurgia voltam a ter dor após dois anos".

A conclusão é de que não basta procurar um médico, mas sim um especialista com profunda formação na área, para evitar diagnósticos desanimadores e encaminhamento cirúrgico desnecessário. Além de, é claro, manter ininterruptamente uma postura correta, evitar excesso de peso, pois sobrecarregam a coluna, e praticar exercícios físicos regularmente sob orientação de um profissional experiente.


Fisioterapia
Tratamento recomendado principalmente para o relaxamento e a reeducação postural, desenvolvendo atividades em cima das posturas ideais para desempenhar cada tarefa da rotina diária. Evita que problemas pequenos se tornem grandes.

Acupuntura
Indicado como complementar de outras terapias e apenas para problemas em estágio inicial. O tratamento à base das agulhas tem efeito analgésico nesses casos. Sua especialidade é aliviar dores e desbloquear terminais de energia espalhados pelo corpo. A energia estagnada sobrecarrega os nervos, assim como os nervos debilitados sobrecarregam a coluna. É nesse ponto que vai bem o auxílio da milenar terapia oriental.

Rolfing e RPG
O Rolfing trabalha o alinhamento do corpo humano em relação às forças de gravidade, através do autoconhecimento e percepção corporal. O RPG trabalha na identificação dos vícios posturais e descoberta de suas origens, vendo as reações que o corpo toma diante de dores e traumas. Ambos são muito úteis no fortalecimento das vértebras, gerando flexibilidade e maior capacidade de movimentos.

Antiinflamatórios
Quando há situação está realmente grave, os terminais nervosos, a musculatura, as articulações e os ligamentos ficam contraídos pela inflamação, causando mais dor que o suportável. Os antiinflamatórios são bem úteis nesse caso.

Exercícios físicos
Fortalecer os músculos, em especial o grupo abdominal, é primeiro passo pra quem quer ficar longe dos problemas de coluna. Mas também é excelente no tratamento de quadros iniciais de hérnia. Mantendo cuidado de realizar exercícios leves, consciente das áreas debilitadas, é possível reforçar músculos e tendões que circundam as vértebras e impedir o avanço da doença.

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