A cirurgia é mesmo o melhor caminho para tratar hérnia de disco?










A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 80% dos adultos sofrerão pelo menos uma crise aguda de dor nas costas durante a vida e, desses, 90% terão mais de um episódio. As causas são variadas, mas em grande parte decorrem de alterações e desgastes dos discos intervertebrais, que permitem a flexibilidade da coluna e agem como amortecedores de impactos e lesões. Entre esses problemas está a hérnia de disco, que afeta 5,4 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A hérnia se origina do rompimento da parte externa do disco intervertebral. Isso faz com que seu núcleo, que tem uma textura gelatinosa, desloque-se em direção ao canal da medula, podendo comprimir estruturas nervosas e provocar dores intensas. Essas dores são localizadas ou irradiadas para pernas e pés e levam o nome de dor ciática.

Fatores genéticos podem ter certa influência no desenvolvimento do processo, mas o fator preponderante é o enfraquecimento da musculatura decorrente da vida sedentária. O tabagismo também pode aumentar as chances de desencadear hérnia de disco.

Se a falta de atividade física está na raiz da maioria das ocorrências, sua prática de maneira inadequada ou exagerada também é frequentemente associada ao processo. Levantar pesos dobrando a coluna em vez das pernas, realizar sem cuidado movimentos de rotação e esforço ou praticar esportes de impacto, como tênis e squash, são condutas que aumentam a probabilidade de hérnia.

A hérnia de disco afeta 5,4 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O diagnóstico é feito por meio de exames de tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Em 98% dos casos o tratamento é relativamente simples. Repouso, analgésicos e anti-inflamatórios costumam ser eficazes na reversão do quadro

A cirurgia para descompressão das estruturas nervosas só é indicada quando a dor se mantém inalterada, mesmo com medicação, ou quando a pessoa apresenta problemas como perda de força para subir uma escada. A maioria das técnicas cirúrgicas é minimamente invasiva e o paciente pode retornar à rotina em poucos dias. Nos casos em que a hérnia de disco leva à instabilidade da coluna, poderão ser indicados procedimentos mais complexos, como a artrodese, em que a coluna é fixada com utilização de hastes e parafusos metálicos. Algumas instituições seguem protocolos rígidos para a recomendação da artrodese, tornando a indicação do procedimento bastante restrita. Já a técnica de substituição do disco intervertebral por prótese deve ser vista com reservas. Ainda não há total segurança de que ela apresente melhores resultados do que as técnicas convencionais. Portanto, ao receber um diagnóstico apontando a necessidade de uma cirurgia mais complexa, é recomendável que o paciente busque a opinião de outros especialistas.

Para evitar novas ocorrências, é recomendável que fortaleça a musculatura com atividades físicas moderadas e orientadas. Dependendo do caso, reduzir o peso, deixar o cigarro e modificar hábitos posturais contribuem para esse resultado.


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