Falta de informação pode agravar sintomas da hérnia de disco

Cerca de 5,4 milhões de pessoas sofrem de hérnia de disco no Brasil,
segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É um
problema que transcende a medicina, posto ser responsável pelo
absenteísmo no trabalho, além de onerar os cofres da Previdência com
benefícios e aposentadorias. Essa parcela da população sofre com a
falta de informação sobre a patologia e acaba se submetendo a
tratamentos inócuos, alguns até mesmo bizarros.

Para o diagnóstico correto, entretanto, é necessária uma avaliação
clínica e radiológica do paciente, definindo sintomas, localização da
patologia e fase de degeneração em que ela se encontra. "As dores
típicas têm irradiação imediata para os membros. No caso de hérnia
cervical, os sintomas acometem o braço. Quando a doença está na coluna
lombossacral, a dor estende-se a uma das pernas ou quadril, seguindo o
trajeto dos ramos do nervo ciático, daí o nome "ciática" ou ciatalgia.
Pode ainda haver formigamento e dificuldade para certos movimentos
como a extensão do pé", explica o neurocirurgião Ronald Cabral de
Mendonça, lembrando que para se fazer o diagnóstico correto, leva-se
em conta o padrão das dores.

Dependendo da raiz nervosa comprimida pela hérnia, a dor é irradiada
para uma área específica do membro, o que facilita a identificação do
nível da lesão. Contraturas e deformidades posturais são comuns. A
confirmação da doença é dada pelo exame neurológico e pelas imagens
fornecidas pela tomografia computadorizada ou a ressonância magnética.

Conforme destaca o neurocirurgião Ronald Cabral de Mendonça, a cura
definitiva da doença somente ocorre com a extirpação da lesão via
intervenção cirúrgica. Não obstante, como destaca o especialista,
apenas 5% a 10% dos casos tem indicação cirúrgica, como o verificado
na Santa Casa de Maceió, que realizou nos últimos seis anos mais de
500 cirurgias de coluna vertebral, 70% das quais por hérnia ou
artrose. A maioria absoluta pela equipe de neurocirurgia.

"A intervenção cirúrgica é recomendada em pacientes que apresentem
déficit motor ou que sofram crises dolorosas frequentes. Na imensa
maioria dos casos, o paciente convive com a hérnia de disco,
eliminando ou minimizando os sintomas de dor por meio de medicamentos
e procedimentos não invasivos", acentuou.

Tratamento

Se não houver indicação cirúrgica, o paciente poderá ser submetido a
tratamento clínico-fisioterápico visando o fortalecimento muscular do
abdômen e da coluna, o que pode adiar ou até mesmo evitar a cirurgia.
Na fase aguda privilegiam-se repouso e analgésicos. Reserva-se a
fisioterapia para uma etapa seguinte quando as dores estão sob
controle.

Na maioria dos casos, a convivência com a hérnia de disco exige que o
paciente realize alongamentos e exercícios de fortalecimento muscular
por toda a vida. Técnicas como Pilates, RPG e hidroginástica têm papel
fundamental nesse contexto.

"Não esquecer que excesso de peso corporal sobrecarrega os discos
intervertebrais, particularmente os já doentes", fez questão de
lembrar o neurocirurgião Ronald Cabral de Mendonça. Outras
alternativas incluem infiltrações locais de soluções anestésicas, que
conseguem diminuir de forma transitória as contraturas musculares.

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