Hérnia de disco lombar: saiba mais, para evitar ou tratar









Muitas vezes, a alegria e o bem-estar proporcionados pela corrida podem sem prejudicados por um fator que está ou esteve presente na vida da maioria das pessoas: dor nas costas.



As dores nas costas, principalmente na região lombar (porção final da coluna), são muito comuns seja na presença da atividade física ou não. Porém, a grande questão é saber exatamente o que provoca essas dores nas costas, como é o caso da hérnia de disco. Conhecer a causa da dor faz com que ela seja resolvida com mais eficiência e menor tempo, proporcionando a volta à atividade mais rapidamente.


Publicidade


Inúmeros corredores chegam ao consultório frustrados e desesperados após receberem o diagnóstico de hérnia de disco ou de desgaste (degeneração) do disco intervertebral, muitas vezes não pela dor que estão sentindo, mas, principalmente, pelo medo de não poderem mais correr.


Entender como funciona a coluna vertebral, o que é a hérnia de disco e o que pode ser feito para evitar e tratar, na maioria das vezes diminui a ansiedade do corredor e o auxilia a ter uma visão mais realista do prognóstico.


O que é hérnia de disco?


Para entender o que acontece no caso da hérnia de disco, é preciso saber que a coluna é formada por articulações compostas pelas vértebras e por discos intervertebrais que se localizam entre elas. Estes discos são formados por um anel fibroso e um núcleo gelatinoso chamado de núcleo pulposo (Figura 1).


O disco intervertebral, principalmente o seu núcleo, comporta-se como um amortecedor, absorvendo os impactos sofridos pela coluna, como os da corrida, por exemplo, cada vez que os pés tocam no solo. Ele é responsável pela sustentação do peso do próprio corpo e dos movimentos de inclinação e rotação da coluna, mantendo a estabilidade da região.


A hérnia de disco acontece quando, por aumento das forças exercidas no núcleo pulposo, esse se desloca e rompe o anel fibroso, indo em direção ao canal medular ou em direção aos espaços por onde passam as raízes nervosas, gerando compressão destas estruturas (Figura 2). Ou seja, o material gelatinoso do núcleo sái do centro do disco e ocupa os espaços das estruturas adjacentes, comprimindo-as.


Quando o núcleo pulposo apenas se desloca sem romper o anel fibroso, empurrando-o contra as estruturas ao redor, chamamos de protrusão discal. Neste caso, o material gelatinoso não extravasa, apenas empurra o anel fibroso, causando uma compressão mais leve.


Causas


A hereditariedade é sempre um fator relevante em quase todas doenças e disfunções. A verdade é que provavelmente 99% das famílias vão ter um ou mais membros que sofreram de hérnia de disco ou degeneração e a única medida que pode ser tomada é manter um programa de prevenção.


Em primeiro lugar, é importante entender que todas as articulações da coluna vertebral devem ter movimento, pois dessa maneira os discos intervertebrais podem receber "alimento". A maior parte do suplemento sanguíneo (oxigênio e nutrientes) chegam ao disco intervertebral através do movimento quando o indivíduo tem mais de 25 anos. Quando o movimento é perdido ou diminuído em qualquer parte da coluna, o suplemento sanguíneo também diminui e com isso inicia-se um processo de degeneração.


Com o passar do tempo, se o movimento não é restabelecido na articulação, os músculos ao redor dela começam a se encurtar, perdendo a flexibilidade. Com isso, o espaço entre uma vértebra e outra, destinado aos nervos, começa a diminuir, comprometendo o impulso nervoso. Além disso, o disco intervertebral diminui de espessura como resultado da diminuição do aporte de alimento e oxigênio e pelo fato de que o peso não é mais absorvido e distribuído igualmente pela falta de movimento na articulação. Isso faz com que o anel fibroso fique vulnerável a rupturas, permitindo a formação da hérnia de disco.


Esta perda ou diminuição de movimento pode ser causada por várias razões, entre elas: trauma na coluna, desequilíbrios musculares, diferença de comprimento das pernas, obesidade, alterações da postura e envelhecimento. A perda do movimento, aliada a esforço excessivo ou repetitivo, disfunções biomecânicas e maus hábitos posturais (como pegar inadequadamente um peso do chão, por exemplo) podem levar ao aparecimento da hérnia de disco. Isso porque ao levantar um peso do chão, estando com o tronco inclinado para frente, sem agachar, faz com que o disco sofra uma força na sua porção anterior, empurrando o conteúdo do núcleo pulposo para trás e forçando uma ruptura do anel fibroso.


O movimento descrito anteriormente associado a movimentos de rotação da coluna pode ser considerado uma postura de maior risco para a formação da hérnia. Porém, podem existir casos em que apenas um trauma ou movimento inadequado resulta na hérnia, mesmo sem a existência de um processo degenerativo.


Sintomas


Os sintomas dependem da causa do aparecimento da hérnia discal. A dor pode estar presente ou não. Poucas pessoas sentem dor na coluna assim que o processo de degeneração se inicia, enquanto que a maioria só sente dor quando o processo já está avançado.


Assim, é comum dores na região lombar e/ou nos membros inferiores (as vezes até o pé), de acordo com a localização da compressão. Ou seja, se a compressão está à direita, o sintoma será no membro inferior direito e assim por diante. Pode ocorrer alteração da sensibilidade no membro inferior do lado acometido e dificuldade para andar ou realizar determinado movimento por incapacidade muscular, causada pela compressão de raízes nervosas.


Diagnóstico diferencial


Outras patologias podem provocar sintomas parecidos com os da hérnia de disco. Por isso, é importante procurar um médico para a realização de um exame detalhado e diagnóstico, descartando a possibilidade de: cálculos renais, tumores e suas metástases, problemas vasculares, osteoporose, aneurismas, entre outras.


Solução


A maioria das pessoas não vai cuidar do problema até que esteja em "crise". E uma crise de coluna pode acontecer dez anos após o início do problema. Por essa razão, a prevenção acaba sendo a melhor opção.


Depois de instalado, a única maneira de tratar e resolver o problema é com uma abordagem progressiva. Não acontece num passo de mágica. A correção da causa será gradual.


Daremos ênfase no tratamento conservador, porém alguns casos necessitam de cirurgia ou injeções de anestésicos ou antiinflamatórios na coluna.


Em geral, podemos dividir o tratamento em três fases e se você tentar pular uma das fases é bem provável que termine voltando para a primeira novamente...

COMENTE ESSE POST

Compartilhe no Google +

0 comentários: