Hérnia de disco: o peso da dor









A dor nas costas é um mal comum e atinge a maioria das pessoas com idade avançada. No entanto, a sensação pode ser confundida com algo simples e ser sinal do corpo para algo mais sério. Um dos problemas mais comuns na região da coluna é a hérnia de disco. A doença atinge cerca de 15% da população mundial, segundo dados da Sociedade Brasileira de Coluna Vertebral. De acordo com números apresentados pelo IBGE em 2010, mais de 5,4 milhões de brasileiros sofrem com a doença e é a segunda maior causa de afastamento do trabalho, ficando atrás apenas das doenças cardíacas.

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Diferente do que muitas pessoas acreditam, a dor nas costas não incomoda apenas os idosos. Jovens também podem apresentar o desconforto. A incidência é maior em homens entre 25 e 45 anos. A hérnia é causada pelo desequilíbrio e desalinhamento da coluna vertebral decorrente de má postura. Sedentarismo, tabagismo e fatores hereditários também podem provocar as lesões degenerativas na estrutura. A protusão ou herniação discal, conhecida como hérnia de disco, ocorre quando os discos intervertebrais se desgastam ou desidratam, e a substância gelatinosa presente no local se desloca para o exterior. O rompimento da estrutura e acumulação do fluido fora da parte central formam a hérnia.

Pressão e Dores

No início, o mal pode ser assintomático. Com o passar do tempo, surgem as crises de dor. A explicação para o incômodo é a compressão da medula espinhal como consequência à pressão exercida entre o disco e os tecidos ao redor.

A costureira Márcia Lopes, 42, conhece bem o sofrimento causado pela hérnia. Após cair da escada, sentiu o corpo dolorido, mas se recuperou. Ela relata que, tempos depois, as dores se tornaram insuportáveis e procurou ajuda médica na Espanha, país onde morava. “Foram cinco meses entre o tombo e o período em que comecei a me sentir mal. Demoraram a descobrir a doença. A hérnia não foi detectada no exame de raios X”, disse. O diagnóstico dela foi uma surpresa: quatro hérnias na região cervical.

Márcia afirma que aprendeu a lidar com as dores. “Tomei medicação por muito tempo, mas não adiantou nada”, afirmou. Segundo ela, a última crise foi um mês atrás. “Doem o maxilar, os ombros, as mãos e atrapalha até a minha respiração. Há mais de um ano não sentia nada”, lembra. “Percebi que alongamento e atividade física, como a Reeducação Postural Global (RPG) me ajudam muito”, disse.

No dia a dia, a situação mais complicada, na opinião dela, é utilizar os ônibus de transporte coletivo. “É difícil porque eu não posso segurar nas barras com firmeza”, justifica. O problema é agravado devido à atividade profissional. Por ser costureira, Márcia precisa ficar sentada por muito tempo.

A exemplo do ex-governador Iris Rezende, Márcia acredita que pode se sentir bem com o tratamento correto. “Escutei uma rádio que ele tinha hérnia de disco, sentia muitas dores e melhorou com uma cirurgia. Isso me animou muito. Também quero me tratar o mais rápido possível”, recordou a costureira, que aguarda uma consulta com um traumatologista do Sistema Único de Saúde (SUS).

No fim de junho, Iris foi internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde foi submetido a uma cirurgia para retirada de hérnia de disco na região lombar. Foi a quarta cirurgia do ex-governador que, três dias antes, havia sido operado no mesmo local em decorrência de dores nas pernas e nas costas causadas pela doença. Atualmente, ele realiza sessões de fisioterapia. À época, ele disse ao DM que se sentia melhor e estava em recuperação. Pelo telefone, Iris afirmou que não esperava duas cirurgias em poucos dias. “Achei que fosse só uma. Mas estava sentindo muitas dores e tive que voltar ao centro cirúrgico”, declarou. Ele explicou que “o material na coluna não foi retirado totalmente, por isso sentia tanta dor”.

Em 14 de junho do ano passado, Iris foi internado para a retirada de hérnia de disco na região lombar. O procedimento foi um complemento à operação realizada em 16 de maio do mesmo ano. O problema começou quando o peemedebista se acidentou na fazenda dele. Ele sentiu dores nas costas e nas pernas há, pelo menos, dois meses antes da cirurgia.

30% da população jovem tem problema

De acordo com o ortopedista e cirurgião de coluna Zeno Augusto, a ausência de dor é comum no início da doença. “Cerca de 30% da população jovem tem o problema e não sabe. No caso de pessoas acima de 60 anos é mais complicado porque em exames como a ressonância magnética, não conseguimos perceber a lesão”, afirmou. Segundo ele, “ainda não se sabe o motivo de a dor se manifestar de uma hora para a outra”, disse.

Devido a maior exposição aos movimentos, o problema é mais frequente na região lombar e cervical da coluna. A lesão pode desencadear dor em outras partes do corpo. Se a hérnia estiver na coluna cervical, as dores são irradiadas para os braços, mãos e dedos. Caso esteja na região lombar, a manifestação aparece nas pernas e pés.

Outros sintomas apresentados são formigamentos e dormência nos membros superiores ou inferiores, além de perda de força nas pernas e incontinência urinária. O esforço físico intenso, postura incorreta e trabalho repetitivo podem desencadear o problema.

Apesar de a incidência ser equilibrada em ambos os sexos, a patologia é pouco mais frequente entre o público masculino. De acordo com Zeno, a explicação é que os homens exercem atividades com maior esforço físico. “Sabemos que as coisas mudaram e não existem profissões exclusivas entre os gêneros, mas, normalmente, eles exercem trabalhos mais ‘pesados’”, comentou.

Exames como raios X, tomografia e ressonância magnética detectam o tamanho e localização da hérnia. O tratamento pode ser realizado com analgésicos, fisioterapia e cirurgia. Dependendo do caso, o médico pode orientar a injeção epidural, aplicação de anti-inflamatório próximo ao local com efeito por três semanas.

A indicação de remédios e o tratamento dependem da queixa do paciente. “Eu avalio a história e não os resultados dos exames, por exemplo. Se uma pessoa chega no consultório sofrendo, com muita dor e o diagnóstico da ressonância é uma lesão pequena, não receito apenas um analgésico”, disse. “A orientação varia de acordo com a severidade dos sintomas”, acrescentou.

O ortopedista esclarece que não há cura para as dores. “Pode ser que o paciente não tenha crises. Normalmente a medicação é suspensa, mas os analgésicos podem ser tomados para ajudar a aliviar as dores. O melhor remédio é atividade física”, disse o cirurgião.

Recomendação cirúrgica é a última tentativa para melhorar a qualidade de vida do paciente. É um tratamento de exceção. Indicado quando todos os recursos foram utilizados e nenhum teve o efeito esperado. Apesar de colocar uma prótese na região, a intervenção cirúrgica pode não resolver. Como estamos falando de fragmentação do disco, outros pedaços dele podem quebrar e, novamente, pressionar o nervo. Algumas pessoas ser submetidas a várias cirurgias.

Tratamento fisioterápico

A fisioterapia é indicada para melhorar o grau de mobilidade dos músculos e das articulações, o que permitirá o espaçamento entre os nervos. De acordo com a fisioterapeuta e especialista em traumatologia, Maíra Goulart, muitos pacientes relacionam a recomendação médica de sessões de fisioterapia com complicação no processo de restabelecimento. “Na verdade, faz parte do tratamento”, explica.

A quantidade de sessões a serem realizadas depende de cada paciente. Segundo a fisioterapeuta, a idade é um dos itens levados em consideração pelo profissional. “Cada corpo reage de uma maneira diferente. Para alguns pacientes, dez sessões resolvem o problema e, para outros, são necessários dois meses de tratamento”, afirmou.

Os exercícios de fortalecimento muscular e alongamento atendem à região abdominal, dos membros inferiores e superiores. A duração é de uma hora por dia, mas, em alguns casos, três visitas ao fisioterapeuta por semana são suficientes para recuperação da saúde sem nenhuma sequela. “Na maioria dos casos, as pessoas voltam ao que eram antes do problema”, disse.

Ela afirma ainda que a realização de uma segunda cirurgia é quase sempre necessária. Maíra diz que a explicação é a quebra do anel. “Ele continua rompido mesmo após a primeira cirurgia”, ressalta. Após as sessões de fisioterapia, os médicos orientam a realização de exercícios como musculação e pilates para evitar crises.

Para evitar hérnia de disco, a recomendação são cuidados com a postura e prática de esportes. O médico arma que os fumantes têm mais chances de apresentar a doença. Além de causar câncer de pulmão, boca e outros, os componentes do cigarro obstruem os vasos que nutrem os discos intervertebrais. Como consequência, eles se desgastam precocemente e provocam a hérnia.

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